Vão vendo estas minhas páginas passadas, pretendo actualizá-las mais vezes nos próximos tempos. D'anteontem:
Esvai-se-me a palavra perante a verdade da folha branca. Estou-me a sentir mal no meio desta gente toda. Sua paz é seus ritos urbanos, e a confiança simples de ser.
Assenta em mim também uma paz triste, com que olho a passagem geral. Vejo não só a distância de mim para com todos, mas sobretudo o quão distante estou de ela mesma. É como se um espectro meu se houvesse despegado de mim, e soubesse de antemão a vida do fundo do tapete rolante que actualmente me leva. Como se o estímulo de haver gente em redor, a breve oportunidade de entabular em interacções promissoramente espontâneas, ainda que fugazes, se diluisse numa excepcionalmente recuada maré, hoje não por acção da Lua ou do Medo, mas dada a claridade com que vi para lá dela, dada a nitidez da provável insignificância de qualquer troca de palavras que me venha à imaginação, qualquer aproximação ao entendimento que efectivamente consiga, e dada a transparência do desalinho maior por trás disso.
Observo como rendido e submisso me perco mais do mundo para me poder encontrar a mim, a sós. À medida que saram as metáforas, dou comigo objectivamente mais distinto, mais estranho a eles, e com menos disposição para mentiras e para verdades. Coagulo em silêncio.